Fabricando Bezerros
"Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu." (Êxodo 32:1)
Quantas vezes nós também não fazemos o mesmo que Israel?
Quando sentimos a demora de Deus em responder, quando a oração parece ecoar no silêncio, quando o coração se inquieta... corremos o risco de fabricar nossos próprios “bezerros de ouro”.
Chamarei de bezerros de ouro tudo aquilo que construímos como substituto da presença de Deus em nossas vidas: quando trocamos a confiança pela ansiedade, a fé pelo medo, a obediência pela rebeldia. O problema é que, cedo ou tarde, o adorador se torna semelhante ao objeto adorado: cego, surdo e sem entendimento.
O silêncio não é ausência
O povo não suportou a demora de Moisés no monte. Não entenderam que o silêncio era apenas Deus trabalhando. E quantas vezes o mesmo acontece conosco? Pensamos que Deus esqueceu de nós, quando na verdade Ele está agindo de uma forma que não conseguimos ver.
A tribulação não é ausência de Deus, mas muitas vezes a linguagem pela qual Ele fala conosco.
Exemplos de “bezerros” na Bíblia
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Sara fabricou um bezerro ao dar Agar a Abraão, cansada de esperar a promessa. O resultado foi dor e conflito (Gn 16:2).
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Ló rejeitou o monte que Deus havia indicado e buscou sua própria solução em Zoar. Mais tarde, viu o erro e pagou caro (Gn 19).
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Israel construiu um ídolo de ouro e chamou de deus, porque não soube esperar (Êx 32).
Todos eles nos mostram a mesma verdade: quando criamos soluções fora da vontade de Deus, colhemos consequências amargas.
O exemplo de Jesus
No deserto, o inimigo também tentou apresentar “bezerros de ouro” ao Filho de Deus: pão, glória, poder (Mt 4). Mas Jesus rejeitou todos, escolhendo depender apenas da Palavra do Pai. Ele nos mostra que a fé verdadeira espera, mesmo em meio ao silêncio e à fome.
Suba ao monte
Moisés, ao descer e ver o bezerro de ouro, quebrou as tábuas da lei e perdeu por um instante a comunhão. Mas Deus o chamou novamente ao monte. E quando ele voltou à presença do Senhor, seu rosto resplandecia (Êx 34:29).
Assim também acontece conosco: se por algum motivo construímos “bezerros”, precisamos subir de novo ao monte, nos quebrantar, buscar a Deus, até que Seu brilho volte a resplandecer em nossa vida.
Uma decisão urgente
Hoje, precisamos decidir: vamos guardar nossos “bezerros” para momentos de crise, ou destruí-los no mar do esquecimento?
Eles podem não ser de ouro, nem ter forma visível, mas sempre nos afastam do verdadeiro Deus.
O Senhor nos convida a rejeitar qualquer substituto e confiar somente n’Ele. Pois, no tempo certo, ouviremos Sua voz dizendo:
"Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça." (Isaías 41:10)
Não fabrique bezerros.
Suba ao monte.

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