O milagre não está apenas na fé que sentimos, mas na fé que usamos.
“Acrescenta-nos a fé!”, disseram os apóstolos diante do Mestre. E em resposta, Jesus aponta para uma árvore comum, uma amoreira, e sugere o extraordinário: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui e planta-te no mar; e ela vos obedecerá.” (Lucas 17:6)
Essa resposta de Jesus, aparentemente absurda, é um convite profundo à transcendência.
A amoreira não sobrevive em águas salgadas. O mar não é ambiente para raízes. E, ainda assim, Jesus diz: “planta-te no mar.” Aqui não se trata de botânica, mas de fé pura — aquela que contradiz a lógica, desafia os sentidos e silencia os cálculos humanos. A fé, segundo Hebreus 11:1, é a certeza do que se espera, e a convicção do que não se vê. E, segundo Jesus, é também ação ousada com base nessa convicção.
Não basta crer; é preciso ordenar.
A fé verdadeira, mesmo do tamanho minúsculo de um grão de mostarda, carrega potência criadora. No grego, quando Jesus diz “Eu farei” em João 14:14, a expressão é “ego poieó” — “Eu criarei”. A fé que se apoia no nome de Jesus não apenas pede, ela cria caminhos onde não há chão, ela planta árvores em oceanos.
Mas por que a amoreira? Porque, segundo estudiosos, suas raízes são profundas e difíceis de arrancar. É como se Jesus dissesse: nem o que parece imutável é obstáculo para a fé ativa. Nenhuma raiz é profunda demais para o poder do crente que confia e age.
E aqui repousa uma verdade desconcertante:
Jesus não está nos ensinando sobre quantidade de fé, mas sobre qualidade de confiança. Ele nos convida a parar de medir a fé como se fosse uma régua espiritual e começar a colocar a fé em movimento, mesmo que minúscula.
A amoreira plantada no mar é símbolo da vida que desabrocha onde não poderia haver esperança. É a imagem de uma oração que não faz sentido ao mundo, mas que, diante de Deus, move céus e mares.
E Jesus vai além. Ele nos exorta: “Servos inúteis são os que fazem apenas o que lhes foi mandado.” (Lucas 17:10) Ou seja, a fé não deve ser passiva, nem limitada às obrigações religiosas. Ela deve ousar, criar, ordenar, arrancar amoreiras e plantá-las onde Deus quiser — até mesmo no mar.
Que fé é essa?
É aquela que acredita no Deus do impossível.
É aquela que ora não com os lábios, mas com os pés em movimento.
É aquela que faz mais do que se espera — porque confia no poder de Jesus para criar o que ainda não existe.
Hoje, talvez você esteja diante de sua própria “amoreira”: um problema profundamente enraizado, uma impossibilidade clara, uma tempestade sem solo firme. Mas lembre-se: o mar, para quem tem fé, também pode ser jardim.
Tudo é possível ao que crê. (Marcos 9:23)
E se você ousar crer... até a amoreira obedecerá. 🌱🌊

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