Nada esta encoberto...
Em tempos de dor, ruínas e notícias que nos deixam sem ar, surge uma pergunta que atravessa a alma: “Onde está Deus?” Essa não é uma pergunta nova. Ela ecoa pelos séculos, desde os campos fumegantes de Sodoma, passando pelas muralhas de Jerusalém destruída, até os escombros modernos de cidades varridas por enchentes, terremotos ou guerras.
Sim, Deus está presente. Não como um espectador indiferente, mas como um Pai que observa, corrige, sustenta e, sobretudo, chama. Chama ao arrependimento, à reflexão, ao recomeço.
“As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus” (Deuteronômio 29:29).
Nem tudo nos será revelado. Nem tudo terá resposta neste lado da eternidade.
Mas o que nos foi revelado — e com clareza — é o caráter de Deus. Um Deus que é amor (1 João 4:8), mas também é justo (Salmo 89:14). Um Deus que deseja a salvação de todos (1 Timóteo 2:4), mas que não hesita em agir para quebrar o orgulho dos homens.
Quantas vezes transformamos nossa liberdade em soberba? Quantas vezes erguemos nossos próprios altares, abandonando o altar do Deus verdadeiro? Feitiçaria, idolatria, perversão, injustiça — pecados antigos, ainda tão atuais. O juízo de Deus não é vingança. É correção. É convite. É misericórdia que bate forte, quando o sussurro já não nos desperta mais.
“Ah! Senhor, ouve; Senhor, perdoa; Senhor, atende-nos e age! Não te retardes, por amor de ti mesmo” (Daniel 9:19).
Cidades foram destruídas. Betsaida, Corazim, Cafarnaum — todas ouvem de Jesus um lamento misturado com advertência (Mateus 11:20-24). Não existem mais. Sua rejeição à Palavra ecoa até hoje. Babilônia, outrora soberba e imponente, jaz em ruínas, como previram Isaías e Jeremias (Isaías 13:19-22; Jeremias 51:26). Sodoma e Gomorra? Reduzidas a cinzas por fogo do céu (Gênesis 19:24-28). E Jerusalém? Não foi poupada por ser a cidade santa, mas foi julgada por causa de seu pecado. Jeremias chorou e disse:
“Maior é a maldade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma” (Lamentações 4:6).
Dói ler essas coisas. Dói reconhecer que Deus permite dores. Mas também consola saber que suas misericórdias não têm fim.
“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (Lamentações 3:22).
Ainda há graça. Ainda há esperança.
Talvez o mundo não veja Deus nas catástrofes, mas os que têm olhos espirituais percebem o seu agir, mesmo no caos. Ele não quer destruir — quer salvar. Jesus disse:
“O Filho do homem veio salvar o que se havia perdido” (Mateus 18:11).
E também: “O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida” (João 10:10).
Jó entendeu isso. Ele perdeu tudo. Filhos. Riquezas. Saúde. Amigos. Mas nunca perdeu a fé. No fundo do vale, entre lágrimas e silêncio, declarou:
“Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25).
E Deus o restaurou.
Você pode perder tudo — menos a fé. Pois é por ela que se alcança a salvação. Jesus é o Caminho (João 14:6). Fora d’Ele, tudo é ruína. Dentro d’Ele, até os escombros florescem.
A maior catástrofe da humanidade não é um terremoto, um incêndio ou uma enchente. É viver sem Deus.
A maior tragédia é ignorar o sacrifício da cruz, rejeitar o amor que se ofereceu em sangue para nos dar vida eterna.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3:16)
Se hoje você ouvir a voz de Deus — não endureça o coração. Ele não quer te destruir. Ele quer te abraçar. E às vezes, quando o mundo desaba ao nosso redor, é o seu amor que nos obriga a olhar para o alto.
Deus fala nas tempestades.
Clama nas ruínas.
Sussurra no silêncio.
Mas sempre, sempre ama.
E este amor é a âncora que segura a alma quando tudo parece afundar.
Deus os abençoe.

Nenhum comentário:
Postar um comentário